Uma proposta de coleta direcionada para o PET em condomínios

Uma proposta de coleta direcionada para o PET em condomínios Revista Limpeza Pública nº 76

Projeto prevê instalação de suportes exclusivos para garrafas PET em condomínios. O objetivo é otimizar a coleta do resíduo e evitar que o material continue indo para aterros. Moradores teriam que separá-lo, aumentando o seu valor agregado.

O Brasil está numa posição de destaque quando o assunto é reciclagem de resina PET. Com uma taxa de 55,6% de materiais recuperados, o País está à frente da Europa (48,4%) e dos Estados Unidos (28%). Só não supera o Japão, que recicla 77,9%. Os números, de 2009, são da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Mas a reciclagem do produto pode crescer ainda mais. Para isso, o Instituto Educa Brasil propõe uma coleta direcionada para garrafas de refrigerantes e outras bebidas que têm o PET como embalagem. Boa parte dos recicladores desse material enfrenta dificuldades para obter o resíduo. No 6º Censo de Reciclagem do PET no Brasil 2009/2010, realizado pela Abipet, 35% dos recicladores disseram que está mais difícil comprar o material, sendo que 9% responderam enfrentar as mesmas dificuldades que antes. Enquanto isso, aproximadamente 108 mil toneladas de garrafas de refrigerantes deixam de ser recicladas por ano, segundo o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre).

Diante desses números, o Instituto Educa Brasil desenvolveu o projeto Recopet. A proposta consiste em disponibilizar um suporte, fabricado com plástico reciclado, que substituiria a lata de lixo convencional em condomínios. De acordo com o presidente do Instituto, Paulo Nelson do Rego, o objetivo é incentivar os moradores a separar e armazenar as embalagens PET pós-consumo, criando uma espécie de ponto de entrega voluntária dentro desses ambientes.

Com a proposta, segundo ele, haveria uma eficiência no transporte dos resíduos domiciliares, já que as embalagens representam de 15 a 20% do volume dos resíduos e 1,46% do peso. Atualmente no Estado de São Paulo condomínios – residenciais e comerciais, com mais de 50 unidades – são obrigados a separar e armazenar os resíduos recicláveis. A exigência consta na Lei nº 12.528, de 2 de janeiro de 2007. Foi na capital do Estado que o Educa Brasil desenvolveu seu projeto piloto para a coleta direcionada. A partir de dados do Departamento de Limpeza Urbana da cidade (Limpurb), o Instituto calcula que são geradas aproximadamente 51 mil toneladas de garrafas PET por ano, que vão para os aterros sanitários. Isso corresponde a 46,83% das embalagens não recicladas no País.

Projeto piloto

Desenvolvido para o bairro de Pinheiros, região oeste de São Paulo, o projeto piloto do Recopet pretende recolher 445 toneladas de garrafas PET em um ano, cinco vezes mais do que o coletado atualmente. A execução da coleta direcionada ainda elevaria a receita da cooperativa que atende o bairro, a Coopervivabem, em quase R$ 500 mil anuais.

Partindo do índice de que cada família consome, em média, uma garrafa por dia, a cada duas semanas caminhões do Recopet passariam nos condomínios recolhendo as embalagens armazenadas nos suportes. O resíduo plástico, então, seria levado às cooperativas e aos pontos de coleta específicos, que fariam a descontaminação e o processamento, para depois vender o material aos recicladores.

"A coleta direcionada aumentaria o preço do material, pois as recicladoras já o comprariam separado e não contaminado", afirma Paulo. Segundo ele, o projeto pode ser realizado em conjunto com as cooperativas. "A ideia é integrar as cooperativas dentro do processo. É uma forma de agregar valor para o material reciclável, que deixa de ser resíduo para se tornar matéria-prima".

De acordo com Paulo, o Recopet também poderia ser estendido às casas, não vinculadas a condomínios. Mas para isso seria necessário um ajuste no formato, traçar uma logística adequada para atender esse segmento.

O Instituto Educa Brasil busca parcerias com prefeituras de outras cidades do estado, como em Bragança Paulista e São Bernardo do Campo. “Se o Recopet conseguisse coletar apenas 50% do PET que vai para o lixo nessas cidades, utilizando uma empresa de coleta local, o projeto destinaria 50% da renda para a empresa, 20% para a gestão do projeto e 30% para a cooperativa, que pagaria 80 cooperados, que ganhariam R$ 900,00 reais por mês, e ainda teria como investir na compra de dois caminhões por ano”, calcula.

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1 Comentário

  • Link do comentário Edméia Salgado Sábado, 04 Fevereiro 2012 17:46 postado por Edméia Salgado

    Gostaria de saber se vocês hoje (04/02/2012) teriam um lugar no município de SBCampo onde possamos buscar parceria para nosso condomínio.
    Gostaria tbm de parabenizar o criador do projeto, uma vez que nos ajuda a cuidar do planeta e gerar emprego a várias famílias.